Pesquisa diz que participação de mulheres negras em comerciais aumentou em 13%

Comerciais de empoderamento feminino somam 18% nas redes sociais

A Heads Propagandas, empresa responsável pela pesquisa “TODXS - Uma análise da representatividade na publicidade brasileira”, trouxe novos números pro trabalho que desenvolve desde 2015. O estudo trata da análise de comerciais, tanto na televisão quanto em redes sociais, e foca na representatividade da mulher e na protagonização dela.

Este ano, o número de protagonistas mulheres foi de 21%, sendo 21% negras e 74% brancas. Analisando o ano passado, as informações são positivas, já que em 2015 a porcentagem era de menos da metade. Para a realização da pesquisa, a Heads estudou durante uma semana, 24 hora por dia, 5834 peças, 2451 inserções de 30 segundos, 35 segmentos de mercado e 228 marcas, só na área televisiva. Para redes sociais, foram analisados 1183 posts, 142 marcas e 24 segmentos diferentes do mercado. No facebook, a conclusão foi de que 18% dos comerciais empoderavam as mulheres, 6% reforçavam os estereótipos e 73% eram neutros.

gráfico mulheres em propagandas brasileiras

O crescimento da participação negra é positivo. No início de 2017, o filme “Estrelas além do tempo”, protagonizado por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe, que trata da lei de segmentação racial presente na NASA em 1960, e em como três mulheres negras ajudaram nos cálculos do primeiro foguete que alcançou a lua, ganhou os três prêmios do Óscar ao qual competiu. O livro de Margot Lee Shetterly, baseado na história real da luta destas mulheres, virou best-seller, e o filme de Theodore Melfi foi um dos melhores filmes do ano.

Apesar disso, o caminho a ser percorrido pela igualdade racial e de gênero ainda é grande. A protagonização dos homens nos comerciais é de 33%, contra 21% das mulheres, e dentro deste número, apenas 7% são homens negros, sendo a padronização dos personagens sempre a de uma pessoa magra e cabelos lisos.

Ira Berloffa Finkelstein, vice presidente de estratégia da Heads e membro do comitê impulsionador da campanha “He For She” (estrelada por Camila Pitanga, atriz brasileira), da ONU mulheres brasileiras reforça a ideia de que estamos, ainda, no começo da conquista pela igualdade, uma vez que mais da metade da população é negra, e a maior parte dos protagonistas são brancos. Mas não descarta a melhora no quadro, analisando a discussão como um indicativo de que “as campanhas estão antenadas às discussões da sociedade”.

Heloise Meirelles é
Social Media na W3.0